Artigos & Colunas

Opinião

Quatro aprendizados da OCDE sobre políticas para resiliência financeira

Pesquisa indica caminhos para promover a força e o foco necessários para a sociedade se reerguer diante das adversidades econômicas

 
 
 

A perda dos pais ou dos responsáveis pela renda da casa para a Covid-19 gerou uma consequência muito ruim para as famílias, pois os custos precisarão ser assumidos pelos novos responsáveis. Assim, esta situação pressiona ainda mais a renda mensal e certamente contribui para o aumento da pobreza no país. Vale mencionar que esta circunstância difere da perda de um emprego, pois a queda na renda nesse caso é permanente.

A renda per capita também será, mesmo que marginalmente, afetada pela partida precoce dessas pessoas. Os familiares que ficaram e dependiam deste rendimento tendem a ficar mais pobres. E, é válido dizer que, considerando a quantidade de desempregados atualmente e o número de mortes por Covid entre idosos, a perda da renda das aposentadorias também afeta, especialmente, as famílias mais pobres que nem sempre têm direito à pensão, já que, segundo o IBGE, 30% dos lares brasileiros viviam sem nenhuma renda do trabalho no primeiro trimestre de 2021.

Nesse sentido, de acordo com a Pesquisa Internacional de Alfabetização Financeira de Adultos da OCDE/INFE 2020, a pandemia lançou uma nova luz sobre a necessidade de fortalecer a resiliência financeira de indivíduos e famílias e sobre medidas de política para proteção contra choques financeiros negativos. Alguns avanços promoveram a inclusão financeira, tratamento mais justo e transparente, custo menor para os serviços financeiros (ou sem custo) e ampliação da informação e orientações para evitar golpes.

Isto significa que os consumidores mais resilientes, financeiramente falando, têm menos probabilidade de enfrentar dificuldades no caso de uma desaceleração e mais probabilidade de se recuperar rapidamente quando a situação melhorar. Ou seja, proteger a si e seus dependentes, tendo reservas de poupança para cobrir déficits inesperados ou experimentando estresse financeiro.

A crise sanitária mudou os hábitos, provocou a desaceleração econômica generalizada, redução da atividade, maiores taxas de desemprego, assim como, um aumento em fraudes financeiras e golpes. Assim, segundo a OCDE, é importante que a autoridade pública ou os formuladores de política atentem-se para o seguinte:

- Trate a crise como uma oportunidade de aprendizado, no sentido de monitorar a evolução da resiliência financeira dos consumidores por meio da coleta e medição de dados, assim como, construir novos planos de ação de emergência e políticas de longo prazo para proteger os consumidores diante de crises futuras;

- Comprometer-se com a proteção dos mais vulneráveis, com foco no apoio a um setor de serviços financeiros mais inclusivo e no fortalecimento da resiliência financeira das famílias em face das mudanças nas circunstâncias pessoais;

- Informar, orientar e educar os consumidores em tempo hábil, por exemplo, por meio de anúncios regulares e orientação sobre questões financeiras, especialmente em situações de emergência temporária, cujas medidas de alívio serão eliminadas gradualmente;

- Capitalizar os benefícios da digitalização para serviços financeiros digitais e entrega digital de educação financeira, mantendo um olhar atento sobre os riscos potenciais decorrentes do aumento das interações digitais e exclusão digital.

Informações: OCDE.

Siga o Piauí Negócios nas redes sociais

FACEBOOK

👉🏾 https://www.facebook.com/pinegocios

INSTAGRAM

👉🏾 https://www.instagram.com/pinegocios

 TWITTER  

👉🏾 https://twitter.com/@negociospiaui

LINkEDIN

👉🏾 https://www.linkedin.com/company/piauí-negócios/

Fonte: Elinne Val - economista e planejadora financeira pessoal da Finaplus

Mais de Artigos & Colunas