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Como cerveja à base de caju beneficia agricultura familiar no Piauí

Produção da Berrió, que faz parte do projeto de sabores regionais da Ambev, evitou a perda de 200 toneladas de caju

 
Produção de agricultores familiares resultou na matéria-prima para fabricação da cerveja regional piauiense (Fotos: divulgação)

 Produção de agricultores familiares resultou na matéria-prima para fabricação da cerveja regional piauiense (Fotos: divulgação)

 
 

O lançamento, no final de 2020, da cerveja piauiense Berrió, feita à base de caju, aumentou a renda de pequenos agricultores piauienses, evitou o desperdício de mais de 200 toneladas de caju e tem ajudado a manter o homem no campo. Tudo isso foi possível porque a Ambev, multinacional fabricante da cerveja, comprou dos produtores locais a matéria-prima necessária para a criação da Berrió. A ação tem a parceria do Govenro do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF).

A empresa adquiriu 240 toneladas de caju fornecido por duas cooperativas, uma de Francisco Santos e outra de Monsenhor Hipólito. Também houve fornecimento de agricultores de Campo Grande do Piauí. Segundo o presidente da Central de Cooperativa de Cajucultores do Piauí (Cocajupi), Jocibel Belchior Bezerra, nesse primeiro momento, 150 famílias foram beneficiadas.

240 toneladas de caju foram adquiridas ano passado, beneficiando 150 famílias de agricultores familiares no Piauí

“Independente da quantidade de caju fornecida, a empresa está possibilitando outras parcerias, como a parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI), quanto à assistência técnica. Isso capacita nossos agricultores e nossos técnicos. E, apesar de ter sido a primeira vez, essa compra gerou um impacto grande na nossa realidade”, considera Jocibel.

Além de vender para a multinacional, os produtores de caju mantêm o fornecimento para fábricas processadoras de suco e fábricas de cajuína, além de outras formas de comercialização. Porém, sem uma ampla estratégia de escoamento da produção, os prejuízos são inevitáveis.

Jocibel explica que, no ano passado, houve uma supersafra de caju, que resultou na produção de 20 mil toneladas do pseudofruto. “Registramos muito desperdício de produção. Se não houvesse a compra para a fabricação da cerveja, o prejuízo teria sido maior. Antes tínhamos apenas uma comercialização mais solta, na qual o próprio cajucultor deixava o caju na fábrica ou vendia para o atravessador. A Ambev vem para se somar a tudo que já é feito dentro da cajucultura, mas não podemos também achar que a empresa vai resolver todo o problema de comercialização”, pondera.

 

Como acontece a venda

A seleção dos produtores é feita a partir do interesse deles em participarem do projeto e não há presença de atravessadores, o que torna a compra direta e, consequentemente, garante maior retorno econômico para o agricultor. Antes da assinatura do contrato de compra, é feita uma análise para garantir que esses produtores cumpram as diretrizes de compromissos alinhados com as políticas de governança da Ambev, incluindo Contratação Responsável, Compliance e Anticorrupção.

Todo o processamento e distribuição são realizados pela Ambev, que conta com cervejarias e estrutura nessas regiões. Essas cervejas são comercializadas somente nos locais de origem, o que contribui para a circulação da economia local.

A compra de caju de produtores piauienses faz parte do Projeto Roots, da Ambev, que estimula o uso de matéria-prima local para o desenvolvimento de novas cervejas, o impacto e incentivo à agricultura familiar.  Atualmente, além do Piauí, o Roots atua em mais quatro estados do Brasil, cada um com cerveja regional: Magnífica, do Maranhão; Nossa, de Pernambuco; Legítima, do Ceará e Esmera, de Goiás.

O processo de produção da cerveja se divide basicamente em quatro etapas:  brassagem, fermentação, filtração e envase. “No caso da Berrió, adicionamos o mosto de caju ainda na fase da brasagem. É ele que garante o aroma típico e a refrescância da cerveja piauiense”, explica Gabriela Pires, mestre cervejeira da Ambev.

A comercialização da Berrió é exclusiva no Piauí, em garrafas retornáveis e em latas. A cerveja tem o perfil @berriodopiaui nas redes sociais. Ele é interativo e segue a linha de valorização da cultura do estado, com piauiês carregado e muitos memes.

Segundo o presidente da Ambev, Jean Jereissati Neto, a empresa está apostando muito em inovação e regionalismo e dentro dessa estratégia, elegeu o Piauí como um lugar onde queremos desenvolver um produto de piauiense para piauiense feito com a receita local com a cadeia de abastecimento 100% local.  

A Ambev é a maior fabricante de cerveja e refrigerantes da América Latina, com sede em São Paulo e várias fábricas no Brasil, inclusive no Piauí. 

A Berrió faz parte do Projeto Roots, da Ambev, que estimula o uso de matéria-prima local para o desenvolvimento de novas cervejas

Tendência de crescimento

Os negócios entre os pequenos agricultores familiares do Piauí e a maior cervejaria do mundo tem tudo para continuar. As conversas para as vendas deste ano já foram iniciadas e, apesar de não serem divulgadas informações sobre o volume da demanda ou sobre o preço praticado, a tendência é de crescimento, especialmente pela aceitação da nova cerveja.

“A gente sabe que um projeto piloto nunca começa redondo. Tem que ter adaptações, ver a aceitabilidade. Estou muito feliz porque estou vendo o piauiense deixando de consumir outra cerveja para consumir a Berrió. Sei que além do sabor ser muito bom, tem também o sentimento de pertencimento, por ser feita com um produto nosso, que valoriza nossa cajucultura. A cajucultura e a apicultura são as cadeias produtivas que têm fixado o homem do campo no campo, dando melhores dias de vida para quem vive na atividade, seja no campo ou nas fábricas. É uma atividade em que vale a pena investir”, defende o presidente da Cocajupi.

A próxima venda, se concretizada, deve ser iniciada na segunda quinzena de setembro. A expectativa do Governo do Estado, que é parceiro do projeto, é beneficiar 400 famílias piauienses.


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16 mil agricultores beneficiados em cinco estados

Com estímulo ao desenvolvimento sustentável da agricultura no Brasil e fomento às economias locais, os estados do Maranhão, Ceará, Pernambuco, Piauí e Goiás já somam mais de 16 mil pessoas impactadas

A companhia calcula que, somente em 2021, pelo menos 8.800 pessoas de estados como Maranhão, Ceará, Pernambuco, Piauí e Goiás estejam sendo direta e indiretamente beneficiadas pelo projeto, aumentando em mais de 138% a adesão à iniciativa no último ano – um marco significativo para a comunidade.

“O Projeto Roots nasceu com a missão de transformar matérias-primas típicas de cada região em fonte de renda estável a essas pessoas”, explica Vitor Antunes Monteiro, Gerente de Sustentabilidade Agro da Ambev. De acordo com o executivo, ingredientes como a mandioca, por exemplo, eram destinados somente à produção de farinha, um processo muito mais trabalhoso e que nem ao menos aproveitava todas as funções da raiz. O mesmo acontecia com a polpa do caju, já que 40% de seus produtores a descartavam. Agora, o remanescente da produção, antes focada só na castanha, se tornou ingrediente cervejeiro.

Com a compra da mandioca e do caju cultivados por esses pequenos produtores para produção de cervejas, é possível garantir uma demanda constante de pedidos ao longo do ano, gerando oportunidade de renda e desenvolvimento.

A participação dos cinco estados no projeto representa um impacto expressivo em toda a cadeia produtiva. De sua criação para cá, cerca de 16 mil pessoas foram beneficiadas nessas regiões, desde os pequenos agricultores, produtores e arrancadores, até transportadores. “Mesmo com esse impacto relevante, para não perdemos o ritmo de produção, criamos uma rede para assegurar o cultivo dos ingredientes e movimentar a economia local, contribuindo também para o desenvolvimento socioeconômico de regiões mais carentes dos Estados”, conta Monteiro.

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