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Pandemia

Fim do auxílio emergencial gera incerteza para economia do Piauí em 2021

Benefício teve forte influência em amenizar a crise iniciada pela pandemia

 
O auxílio emergencial representou quase 8% do PIB do Piauí em 2020, segundo estudo da UFPE

 O auxílio emergencial representou quase 8% do PIB do Piauí em 2020, segundo estudo da UFPE

 
 

A economia do Piauí inicia o mês de outubro com forte expectativa: além da redução do valor do auxílio emergencial pago à população desde o início da pandemia, o fim do programa, previsto para janeiro de 2021, gera incerteza entre lojistas, economistas e o próprio Governo do Estado.

 

Um estudo da Universidade Federal de Pernambuco mostrou que as cinco parcelas de R$ 600 pagas a mais de 40% da população piauiense  foram responsáveis por impactar em 7,9% no Produto Interno Bruto (PIB) do estado este ano, mostrando a importância do benefício para a economia do Piauí. Para efeito de comparação, o impacto do auxílio no PIB do Brasil foi de apenas 2,5%.

 

O comércio no Piauí voltou a crescer, mas o fim do auxílio preocupa lojistas 

 

Desde o mês passado, o auxílio foi reduzido pela metade – R$ 300,00 – e o governo federal já anunciou que só irá pagar o benefício até dezembro, já que não há mais dinheiro em caixa. Pretende lançar em janeiro o Renda Cidadã, um programa que substituirá o Bolsa Família. Porém, o Ministério da Economia, até agora, não sabe de onde virá o dinheiro, já que o presidente Bolsonaro quer que o valor do Renda Cidadã seja maior do que o do Bolsa Família.

 

No início da crise, acreditava-se que a pandemia já estaria controlada até o fim deste ano. Porém, uma segunda onda já atinge a Europa, obrigando os países a fechar novamente algumas atividades econômicas, como bares e restaurantes. Ou seja, a pandemia não foi controlada, o que sugere que uma segunda onda atinja o Brasil novamente nos próximos meses, obrigando o governo a determinar a restrição de atividades econômicas pela segunda vez.

 

Prorrogação do auxílio

O prolongamento da pandemia levou, na semana passada, o presidente do Comitê Nacional de Secretários da Fazenda, Finanças, Receitas ou Tributação dos Estados e Distrito Federal (Comsefaz) e secretário da Fazenda do Piauí, Rafael Fonteles, a pedir a prorrogação de auxílios do governo federal aos trabalhadores, empresas, estados e municípios. Fonteles falou sobre a possibilidade da crise financeira estar se tornando crônica.

 

“A nossa preocupação é com o fim dos auxílios. Como vai ficar a economia? O auxílio emergencial já reduziu à metade, vai a R$ 300 e depois a zero em janeiro. O auxílio federativo já encerrou, a última parcela foi em setembro. A compensação do FPE encerra-se no próximo mês, provavelmente. Como vai estar a economia se a vacina não chegou? Se o comportamento dos agentes econômicos ainda não será o mesmo. Claro que muita coisa retornou, mas não há situação de normalidade”, afirmou Rafael Fonteles.

 

Rafael Fonteles defende continuidade do auxílio em 2021

 

Para ele, mesmo com o problema fiscal associado, o governo federal poderia fazer a retirada dos auxílios de forma mais gradual, inclusive entrando em 2021.

 

“Eu defendo com muita convicção, mesmo com o problema fiscal associado, uma retirada desse auxílio um pouco mais gradual, entrando se possível em alguns meses de 2021. Se discute em outros países um segundo momento do pacote fiscal e aqui deveríamos fazer o mesmo ou uma postergação, mesmo que isso implique ainda no aumento do endividamento”, declarou o secretário da Fazenda.

 

Economistas afirmam que cenário é ruim

O professor de Economia Fernando Galvão admite que a probabilidade do fim do auxílio emergencial enfraquecer a economia é enorme, devido à forte influência do benefício da renda das famílias. “Principalmente num cenário de alto desemprego, alta informalidade no mercado de trabalho e preços elevados de itens básicos de consumo, sobretudo das camadas de mais baixa renda”, diz.

 

Fernando Galvão ressalta a forte influência do auxílio no aumento de renda das famílias mais carentes

 

Para o consultor Francisco Sousa, a própria incerteza da pandemia dificulta qualquer previsão, pois a reabertura das atividades econômicas pode voltar a sofrer um revés, visto que na Europa está ocorrendo uma segunda onda da Covid-19. “Se retomada da economia dependesse apenas do fim da pandemia, podíamos dizer que ainda vai demorar, já que os casos ainda não estão controlados”, afirma

 

Francisco Sousa ressalta que a recuperação da economica está associada ao controle da pandemia 

 

Sousa destaca ainda outros fatores influenciam no mercado, como as eleições americanas, a briga comercial entre China e Estados Unidos da América. “Num cenário muito otimista, se a pandemia acabasse hoje, demoraríamos pelo menos um ano para voltar aos níveis de consumo anteriores aos da crise”, prevê. “Para perder é rápido, para recuperar [a economia] é mais demorado”, conclui.

 

O doutor em Economia Juliano Vargas avalia que a repercussão do fim do auxílio emergencial vai depender de como ele será retirado. “Se o auxílio foi substituído pelo programa Renda Cidadã [anunciado pelo governo federal], você consegue incluir essas pessoas numa nova modalidade de renda mais permanente e mais estável ao longo do tempo, e aí o impacto do fim do auxílio será pequeno”, analisa.

 

Juliano Vargas entende que Renda Cidadã pode amenizar impacto do fim do auxílio

 

Além do auxílio emergencial, outro fator que ajudou a reduzir o impacto na crise da economia foi a forte dependência do salário dos piauienses no setor público, tanto em nível federal, estadual e municipal. O funcionalismo público emprega 24% dos trabalhadores e continua recebendo seus vencimentos normalmente.

 

O setor de comércio e serviços, por exemplo, apresentou crescimento no Piauí logo em maio, quando a população já havia começado a receber a primeira parcela do auxílio. 

 

Outro fator que ajudou a amenizar a crise foi a antecipação do 13º salário em agosto, pelo Governo do Estado, injetando mais de R$ 300 milhões na economia.

 

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