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Retomada

Antecipação do 13º no Piauí aquece economia após pior trimestre do ano

R$ 200 milhões são pagos hoje aos servidores, e dinheiro deve movimentar o comércio e serviços

 
Consumidores no centro comercial de Teresina após a retomada (Foto: Piauí Negócios)

 Consumidores no centro comercial de Teresina após a retomada (Foto: Piauí Negócios)

 
 

A antecipação do pagamento do 13º salário dos servidores públicos estaduais, feita nesta sexta-feira (14), vai aquecer a economia do Piauí após o período mais crítico da arrecadação, formado pelo trimestre abril-maio-junho.

 

Com a injeção de R$ 200 milhões no mercado local, o Governo do Piauí acredita que esse dinheiro impulsionará o consumo nos setores de comércio e serviços, os mais afetados pela pandemia do novo coronavírus.

 

“Essa medida é extremamente importante para essa retomada econômica porque representa uma injeção de recursos para esse início de retomada das atividades do comércio e do setor de serviços”, afirma secretário da Fazenda, Rafael Fonteles, ao anunciar a antecipação do salário, que só seria pago em dezembro.

 

Rafael Fonteles conseguiu antecipar o 13º em quatro meses: estímulo à economia (Foto: divulgação)

 

A expectativa do governo é amenizar as perdas financeiras tanto para os cofres públicos quando para o setor privado. Com a interrupção forçada das atividades econômicas a partir da segunda quinzena de março, o impacto negativo foi forte.

 

Nas cinco primeiras semanas da crise, o comércio do Piauí perdeu quase R$ 1 bilhão, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio. No âmbito dos serviços, houve queda de 8% em março, 16% em abril e 5% em maio, segundo o IBGE.

 

O Piauí perdeu quase R$ 1 bilhão no setor do comércio nas primeiras cinco semanas da crise, conforme mostra o gráfico acima (Arte: CNC)

 

Ne setor público, o prejuízo também foi grande. A arrecadação do ICMS, principal imposto estadual, foi 20% menor no primeiro semestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. O trimestre de abril, maio e junho foi o pior do ano, com queda de R$ 275 milhões em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Somente em abril, o tombo foi de -27% em relação a abril de 2019.

 

 

 

A retomada gradual das atividades, iniciada no dia 6 de julho, somada às medidas de auxílio financeiro da União, como injeção de dinheiro aos estados e à população, já indicam um cenário melhor. Com a antecipação em quatro meses do 13º salário, o Governo Estadual espera a amenização da recessão prevista para 2020.  

 

 “A antecipação do 13° vai proporcionar a movimentação da economia e tem por objetivo contribuir com esse momento de retomada de atividades”, afirma o governador Wellington Dias.

 

 


Outro ponto importante na antecipação do 13º é que agosto será o último mês em que a ajuda financeira da União aos estados, para compensar as perdas de arrecadação, será positivo.

 

Segundo o Instituto Fiscal Independente, órgão do Senado Federal, em agosto o Piauí terá um saldo positivo de R$ 5 milhões entre o que receberá de ajuda do Governo Federal e o que deve deixar de arrecadar no período. Já em setembro, o dinheiro da União não será suficiente para cobrir a queda da arrecadação, gerando um saldo negativo de R$ 85 milhões (veja quadro abaixo). O aquecimento da economia provocado pelo aumento do consumo com o dinheiro dos servidores pode reverter esse quadro.

 

 

A partir de setembro, o repasse da União deixará de suprir as perdas previstas com a arrecadação (Reprodução/Senado Federal)

 

 

“É uma boa opção antecipar o 13º, pois aquece a economia do estado, uma vez que o segundo semestre (julho, agosto e setembro) é em geral mais fraco do que o último (outubro, novembro e dezembro). Com esse dinheiro circulando, o governo estimula o consumo”, afirma o economista Willame Mazza, professor da Universidade Estadual do Piauí.

 

O especialista ressalta, porém, que é necessária uma série de medidas que vai bem mais além que a antecipação do 13º, que envolva estado e mercado, em uma relação simbiótica e de estímulos por parte do Estado. “Temos que ter consciência que as medidas utilizadas atualmente, tanto em nível federal, como estadual, não solucionarão a crise econômica, e sim minimizarão seus efeitos”, diz.

 


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Juliano Vargas, professor de economia da Universidade Federal do Piauí, admite algum impacto positivo com a antecipação do 13º, mas com alcance limitado pelo atual momento, que aponta para restrições de gastos e investimentos.

 

“Isto devido à realidade indesejada que se apresenta, aliada à forte incerteza quanto ao futuro e à baixa expectativa quanto à retomada econômica. Para voltarmos aos patamares anteriores aos da pandemia (que já eram insatisfatórios), só há chances reais no longo prazo”, opina.

 

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