Agronegócio

Inovação

Projeto aumenta produção e zera perdas de cajá em sítios do Piauí

Parceria da Fapepi e Embrapa tiveram ótimos resultados em propriedades rurais de Água Branca e Teresina

 
A cajá é fruta bastante encontrada no Piauí (Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa)

 A cajá é fruta bastante encontrada no Piauí (Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa)

 
 

Um projeto inovador adotado em sítios nos municípios de Teresina e de Água Branca, no Piauí, aumentaram a produção e reduziram as perdas de cajá nas propriedades. Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) e executado pela Embrapa, o projeto custou R$ 400 mil, sem a necessidade de recursos dos produtores rurais.

Em cada sítio, foram implantadas tecnologias diferentes. Em Teresina, foi adotada uma tecnologia de fertiirrigação no pomar. O trabalho executado pelo pesquisador Valdemício Ferreira de Sousa, da Embrapa Meio Norte, no sítio Tuturubá, obedeceu aos critérios técnicos com dosagens de nitrogênio, fósforo e potássio, via água de irrigação e com frequência de aplicação de 20 dias.

Assim, a produção de cajá saltou de 3,4 toneladas em 2021 para 8,1 toneladas até o dia 21 de março deste ano, com a previsão de chegar a 15 até o final da colheita, em maio.

Já no município de Água Branca, o projeto envolveu a produção de clones de cajazeiras de qualidade superior num experimento com telados, para aparar as cajás que caem dos pés. No sítio Sambaíba, onde o projeto das telas foi implantado, está havendo um aproveitando de 100% da produção. “Sem as telas, as perdas na colheita eram de 40%”, revelou o proprietário do sítio, produtor e engenheiro-agrônomo Júlio César Lopes da Costa.

As telas aparam as cajás, reduzindo as perdas em 100% (Foto: Júlio César Lopes/Embrapa)

O aumento da produtividade trouxe outras perspectivas aos produtores. Antes atuando apenas uma produção caseira, João José Neto, do proprietário do sítio Tuturubá, pensa em transformar a propriedade em uma agroindústria, aproveitando também os cultivos de caju, acerola e manga.

Ele ressaltou que o experimento foi um sucesso e comemorou o fato de o poder público investir no projeto, de forma que o empresário não teve risco de prejuízo caso o experimento não fosse bem-sucedido. “É importante que as pessoas saibam que existe a fundação que libera recursos em projetos que melhoram a produtividade das empresas”, explica João José.

A modelagem do sistema de produção de cajá está sendo feita por uma equipe de sete pesquisadores da Embrapa, com ações como a seleção de clones, manejo de irrigação na fase reprodutiva da cajazeira, identificação de pragas e doenças, definição da forma de colheita, avaliação da restrição radicular da planta, avaliação da desfolha na indução floral e estabelecimento de doses de nitrogênio, fósforo e potássio para a produção. O projeto é coordenado pelo pesquisador Eugênio Emérito Araújo.

O mercado de polpa de frutas no Piauí acena com empolgação para o projeto. “Foi uma grande ideia, pois cerca de 90% do cajá demandado pelas indústrias de polpa de frutas vem de fora. É um produto de aceitação popular grande, mas que às vezes esbarra no valor”, comenta o agroindustrial Marcio Leonardo Ribeiro Teixeira, gerente da empresa Fruta Polpa, de Teresina.

Com uma produção maior, no entender de Leonardo, a melhor oferta de matéria-prima a indústria poderia melhorar a qualidade da polpa. A empresa processa hoje entre 620 a 650 toneladas de polpa por mês. Desse total, 13% são de polpa de cajá. A produção é vendida também para os estados do Maranhão, Ceará, Pará, Tocantins, Goiás e o Distrito Federal. Teixeira conta que a Polpa Fruta compra matéria-prima principalmente do Estado da Bahia.

 

 

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Fonte: Embrapa/Fapepi

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